Irmão João Bretas, do Capítulo Obreiros do Século XXI, aborda sobre o tema: Hábito

            Qual a primeira coisa que você faz depois de se levantar de manhã? Escova os dentes? Se olha no espelho? Toma banho? Prepara um café? São todos hábitos bastante comuns. Você escova os dentes e toma banho para se higienizar, se olha no espelho para pentear o cabelo ou lavar o rosto, e toma café para conseguir energia e pegar no tranco para mais um dia. Todos temos essas tarefas por hábito. Nesse texto vamos descobrir como se concretizam os hábitos, e de que forma eles podem ser prejudiciais ou benéficos para nossa saúde física, mental ou até mesmo social.

            Neste texto usarei apenas a palavra “hábito”. Resolvi não usar a palavra “costume” pois ela nunca me soou muito bem. Quando penso nessa palavra, sempre me lembro de uma história que li quando criança:

Havia um experimento científico sendo operado em um laboratório. No laboratório havia 6 chimpanzés, uma escada, e no topo da escada um cacho de bananas. Sempre que um chimpanzé alcançava o cacho de bananas no alto da escada, todos os outros chimpanzés recebiam um jato de água de mangueira como um estímulo aversivo. Com o passar do tempo, os chimpanzés entenderam a relação entre o cacho de bananas e o jato de água, e passaram a agredir qualquer um dos macacos que tentasse chegar perto da escada. Depois que todos já tinham entendido esse esquema, os cientistas substituíram 2 dos chimpanzés do experimento por outros 2 chimpanzés quaisquer. Sempre que os chimpanzés novos se aproximavam demais da escada, com a intenção de pegar o cacho de bananas, os outros 4 macacos os agrediam, apesar da mangueira não ser mais usada. Isso foi feito sucessivamente, substituindo 2 chimpanzés de cada vez, e mesmo os chimpanzés que nunca haviam recebido o jato de água, também agrediam os chimpanzés recém colocados no experimento. Chegou ao ponto em que não havia mais nenhum macaco que tenha visto o estímulo aversivo da mangueira, mas mesmo assim agrediam qualquer chimpanzé que se aproximasse da escada.

Por que os macacos agiram dessa forma? Se você perguntasse aos chimpanzés que ainda restavam no final do experimento, eles provavelmente responderiam: “não sei, por aqui sempre foi assim”. Isso é costume. É algo que não precisa de fundamento nem autocrítica, é algo que pode ser extremamente disfuncional e prejudicial, mas que você mantém por alguma razão desconhecida até mesmo pra você. Costume é o que os macacos do final do experimento criaram. Eles são os inimigos daqueles que buscam inovação. Se você quer escrever um nova história, não use a mesma caneta que todos os outros usaram. Pense fora da caixa e reveja todos os métodos que você está usando em busca do seu objetivo. Se você precisa de uma ferramenta que ainda não existe para chegar em seu objetivo, crie essa ferramenta. Faça da sua mente um abolicionista de costumes e certamente as respostas virão mais facilmente.

O hábito é diferente. O hábito se constitui através de reforços internos ou externos para a manutenção de uma atividade. Você escovava os dentes quando criança para sua mãe não brigar contigo, e hoje você mantém esse hábito criado na infância, mas por motivos de higiene. Esse exemplo serve para entender que hábitos podem ser ressignificados, e sempre têm uma razão específica para surgir. Quando você escova os dentes, seu sistema de recompensa é hiper-estimulado. Você sente um frescor na boca, sente o hálito agradável, e mantém a perspectiva de que a longo prazo estará livre de mazelas causadas pela falta de higiene bucal. A constituição desse hábito é extremamente benéfica e sadia, porém nem sempre ocorre desta forma.

O que é um vício? É um hábito prejudicial à saúde que é constantemente reforçado de alguma forma. Vícios brincam com o seu sistema de recompensas, eles hackeiam esse sistema para garantir a própria manutenção. Videogames te dão pontos e troféus, drogas te fazem liberar hormônios de prazer, jogos de azar fazem você ganhar de vez em quando para que você mantenha seu sensor de recompensas acesso como uma árvore de natal. Todos esses são caminhos que os vícios tomam para se instalar nas pessoas. Como revertê-los? Ora, o principal caminho é substituir esses hábitos insalúbres por outros mais saudáveis, tendo cuidado para não permitir a aquisição de novos vícios. Pode ser até um pouco espantoso entender que cada vez que você vibra com uma vitória em um jogo qualquer, é  uma forma do seu organismo dizer que está sendo hackeado.

Os vícios mais perigosos são aqueles que proporcionam mais recompensas em menos tempo. Drogas que levam muito tempo para fazer efeito, por exemplo, tendem a ser menos viciantes que drogas que agem mais rapidamente. Por isso poupar dinheiro não é algo viciante. Ganhar dinheiro é muito bom e muito estimulante, mas poupar dinheiro ou fazer investimentos de longo prazo são coisas que não te proporcionam praticamente nenhum prazer. Você tem que juntar uma grande quantia e esperar muitos meses ou anos para render um número mais satisfatório. A relação tempo-recompensa é muito enfraquecida. Como consequência, as pessoas preferem gastar o dinheiro que têm hoje, ao invés de esperar para gastar mais dinheiro outro dia.

Reveja seus hábitos. Busque entender quais te fazem bem e quais estão te afundando. Nossas mentes foram projetadas para criar hábitos, mas nosso discernimento foi projetado para escolhê-los.

Texto: Irmão João Pedro Bretas – estudante no curso de Psicologia na Universidade Federal Fluminense (UFF) e Segundo Conselheiro do Capítulo Obreiros do Século XXI nº 057, de Teresópolis/RJ.

Imagem cedida para divulgação

 

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