Artigo 5: Os Templários e as Cruzadas – Parte 2 – Tio Augusto Leandro Rocha da Silveira

Continuaremos, pois, nosso artigo anterior, partindo agora diretamente, para a segunda parte dos Templários e as suas relações com às Cruzadas.

O primeiro Grão Mestre da Ordem do Templo, Hugh de Payens, faleceu em 1136, sendo escolhido seu sucessor Robert de Craon, que teve pela frente um legado importantíssimo do seu antecessor, ou seja, levar a cabo as benesses obtidas com o Concílio de Troyes, obtendo do Papa Inocêncio II uma série de bulas, papais que beneficiavam os Templários, dentre elas, em 1139, foi publicada a bula Omne Datum Optimum, que colocava os Templários em grau de subordinação apenas ao Papa.

Como se sabe, a Ordem já gozava de certa liberdade e autonomia, como por exemplo, a eleição de seus Grãos-Mestres, eram escolhidos apenas entre os próprios cavaleiros; os Templários não precisavam pagar o dízimo, mas, tinham permissão para cobrá-los em suas propriedades; os espólios de batalhas lhes pertenciam por direito, etc.

Tais benefícios, foram, a posteriori, ampliados com mais duas bulas Papais, a Milites Templi, publicada pelo Papa Celestino II em 1144 e a Bula Militia Dei, publicada em 1145 pelo Papa Eugênio III, e somadas a Bula anterior de 1139, concediam aos Templários, um poder que culminou com sua riqueza e sucessos futuros, também, talvez, inversamente, a sua derrocada.

Com o Papa Eugênio III os Templários obtiveram o direito de utilizar seu emblemático hábito com a cruz pátea vermelha sobre uma túnica branca, simbolizando a prontidão ao martírio iminente na proteção da Terra Santa.

Um fato importantíssimo que deflagrou a segunda cruzada foi a queda de Edessa liderada por Zengi em 1133, conforme nas palavras de Guilherme de Tiro: “eles atacaram com suas espadas os cidadãos que encontravam, ignorando condição, idade ou sexo”, escravizando os sobreviventes.

Houve certa demora na reação do ocidente em relação à queda de Edessa, e portanto, somente em 1145, o Papa Eugênio III enviou correspondência ao Rei Luis VII na França, para que este organizasse uma nova cruzada ao Oriente. Teríamos assim, a segunda cruzada.

E mais uma vez, São Bernardo de Claraval foi figura importantíssima no convencimento de reis e religiosos da necessidade de uma nova cruzada, e assim o fez em Vezelay em 1146.

O discurso inflamado e persuasivo proferido por São Bernardo, afirmou que a queda de Edessa seria um presente de Deus, e mais ainda, que este mesmo Deus buscava sempre novas formas de salvar os fiéis, restando clara aí a oportunidade que Deus oferecia aos homens para salvar suas almas.

Aos brados de “Deus vult!”, Bernardo, convenceu diplomaticamente um número considerável de reis, entre a Inglaterra, Alemanha, Flandres, invocando a guerra in nomine Dei, com o fim da absolvição dos pecados mundanos dos participantes.

No dia 27 de Abril do ano de 1147, O rei Luís VII e o Papa Eugênio III à sede europeia da Ordem do Templo em Paris, para discutir e aprovar os planos para a Segunda Cruzada; sendo decido neste encontro que os Templários acompanhariam a milícia francesa ao Oriente.

Tudo correu bem até meados  de setembro de 1147, quando então, o exército de Conrado chegou a Constantinopla, atravessando o Bósforo, seguido pelo exército de Luís um mês depois. A Segunda Cruzada possuía dois exércitos cortando o território bizantino, além de uma grande frota que vinha do norte da Europa e seguia para o Mar Mediterrâneo, após, tomar Lisboa dos muçulmanos.

Em outubro do mesmo ano, Conrado, conduziu seu exército pela Ásia Menor, chegando à fronteira de seljuk, onde os alemães foram devastados em 25 de outubro, sobrevivendo poucos soldados, dentre eles o próprio Conrado, optaram por recuar para Niceia, onde se juntaram aos franceses, numa rota costeira mais segura.

Chegando em Éfeso, Conrado ficou doente retornando com seus soldados para Constantinopla, enquanto os franceses, com fraco abastecimento de provisões, cruzaram o vale Maeander em direção ao leste, em pleno inverno; ao atravessar os desfiladeiros dos montes Cadmus em janeiro de 1148, os franceses com suas pesadas armaduras tornaram-se alvos fáceis para uma leve e bem treinada cavalaria seljuks, que dominavam as flechas incendiadas em combate.

Diante do fiasco, o rei Luís transferiu seu comando para o mestre Templário Everardo de Barres, que com astúcia e técnica militar, conseguiu conduzir o restante das tropas à Antalya, no Mediterrâneo; porém, a frota bizantina que os esperava era tão pequena que somente Luís e alguns homens embarcaram para leste, obrigando o restante à ir por terra ao território seljuk, o que importou na morte da grande maioria dos soldados pelo caminho.

ADVOGADO ESPECIALISTA EM RESPONSABILIDADE CIVIL MÉDICA.   
LICENCIADO EM FILOSOFIA. 
MEMBRO DO INSTITUTO BRASILEIRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIA RAIMUNDO LÚLIO “RAMON LLULL” – IBFCRL.
MEMBRO DA SOCIÉTÉ INTERNATIONALE POUR L´ÉTUDE DE LA PHILOSOPHIE MÉDIÉVALE – SIEPM.
MIEMBRO DE LA SOCIEDAD DE FILOSOFÍA MEDIEVAL – SOFIME ESPAÑA.
MEMBRO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESTUDOS CLÁSSICOS – SBEC.
MEMBRO DA SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O ESTUDO DA FILOSOFIA MEDIEVAL – SBEFM.
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