História dos Cavaleiros Templários – A Regra Templária Autor: Tio Augusto Leandro Rocha da Silveira

Conforme mencionamos no artigo anterior, após a criação da Ordem Templária em 1118, por nove membros, esta assim permaneceu nove anos sem iniciar nenhum novo membro. Foi então que em 1126, Hugo de Payens (Grão Mestre) e André de Montbard retornaram à França para manter uma reunião com o sobrinho de André de Montbard, que era nada mais, nada menos, que Bernard de Clairvaux (São Bernardo de Claraval), Abade de Clairvaux, para dentre outros assuntos, buscar o apoio papal e a redação da Constituição da Ordem, também conhecida como a Regra do Templo.

Bernardo de Claraval não era um religioso comum, era, pois, o conselheiro direto do Papa Horácio II, e como veremos em outro momento, um personagem emblemático da Cristandade do século XII d.C. A empreitada obteve sucesso, e a Regra Templária foi redigida por São Bernardo de Claraval, após explicações por parte do Grão Mestre do objetivo da Ordem. A Regra divide-se em 72 capítulos, e procedida de um breve prólogo.

Ao lermos os capítulos, percebemos de plano uma rigidez e obediência para com Deus. E unicamente, a Ele. Daí a divisa Templária: “Non nobis Dominenon nobissed nomini tuo ad gloriam“, (Não a nós, Senhor, não a nós, mas pela Glória de teu nome) extraída da Bíblia, mais precisamente, dos Sal, 115,1.

Abaixo citarei alguns trechos da Regra, para o leitor do Paramaçonaria:

” – Nós determinamos que os trajes de todos os irmãos deverão ser de uma cor, ou seja branca, negra ou marrom. E nós a todos os irmãos Cavaleiros no inverno e se possível no verão, mantos brancos; e ninguém que não pertença aos mencionados Cavaleiros de Cristo terá permissão de ter um manto branco, de modo a que aqueles que abandonaram a vida da escuridão reconhecerão uns aos outros como estando reconciliados com o Criador pelo sinal dos hábitos brancos; que significa pureza e castidade completa. Castidade é certeza no coração e saúde para o corpo. Pois se algum irmão não assumir o voto de castidade, não poderá ter o descanso eterno nem ver a Deus, pela promessa do apóstolo que disse: “ Empenhe-se em trazer paz para todos, mantenha a castidade, sem a qual ninguém vê Deus”.

– Mas estas roupas não deverão ostentar qualquer requinte de orgulho. E então ordenamos que nenhum irmão terá um pedaço de (Fur) em suas roupas, nem algo que pertença às lides do corpo, nem mesmo um lençol a menos que seja um de lã de cordeiro ou ovelha.. Ordenamo-lhes que todos os irmãos tenham a mesma, de modo a vestir-se e desvestir-se e por e tirar suas botas facilmente.  E o (Draper) ou o que estiver em seu lugar deverá estudadamente refletir e cuidar  de ter a recompensa de Deus em todas as coisas supramencionadas, de modo a que os olhos dos invejosos e as más línguas não possam notar que as roupas são muito longas ou demasiado curtas; mas que ele as distribua de modo que se ajustem a quem as envergar, de acordo com o tamanho de cada um.

– Se algum irmão por orgulho ou arrogância desejar um traje mais fino, que lhe seja dado o pior. E quem receber roupas novas deverá imediatamente devolver as velhas, para serem dadas aos escudeiros e sargentos e freqüentemente aos pobres, de acordo com o que parecer melhor ao encarregado.”

Como já foi dito acima, a Regra possuía um caráter rígido e religioso, para justamente, como dizia Ramon Llull “escolher 1 cavaleiro entre mil homens”, dada a responsabilidade do cargo.

Esperamos com essa breve análise da Regra ter despertado em você, leitor do Paramaçonaria, uma vontade em se aprofundar nos estudos. E para tanto, recomendo, a leitura do livro: A História dos Cavaleiros Templários e do Templo, de Charles G. Addison, publicado em português pela Editora Contraponto e facilmente encontrado nas livrarias físicas e virtuais.

Por fim, gostaria de deixar mais uma novidade em nossos artigos: Ao final do texto, sempre deixaremos uma questão para reflexão e pesquisa. A do presente artigo é: Se foi alegado como um dos motivos principais para a criação da Ordem Templária a proteção dos peregrinos no caminho entre a Europa e o Oriente, por que na Regra Templária primitiva não há menção à essa tarefa, já que lá, há o regramento completo da Ordem?

ADVOGADO ESPECIALISTA EM RESPONSABILIDADE CIVIL MÉDICA   
LICENCIADO EM FILOSOFIA 
MEMBRO DO INSTITUTO BRASILEIRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIA RAIMUNDO LÚLIO “RAMON LLULL” – IBFCRL
MEMBRO DA SOCIÉTÉ INTERNATIONALE POUR L´ÉTUDE DE LA PHILOSOPHIE MÉDIÉVALE – SIEPM
MIEMBRO DE LA SOCIEDAD DE FILOSOFÍA MEDIEVAL – SOFIME ESPAÑA
MEMBRO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESTUDOS CLÁSSICOS – SBEC
MEMBRO DA SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O ESTUDO DA FILOSOFIA MEDIEVAL – SBEFM

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