Membro do Capítulo Obreiros do Século XXI, em Teresópolis, RJ, Irmão João Pedro Bretas, faz homenagem ao dia do maçom

A maçonaria produz heranças revolucionárias em todo solo que pisa. Uma das maiores revoluções que já ocorreram na história global – a revolução francesa – possuía fundações maçônicas inegáveis que se faziam presentes inclusive no lema dos revolucionários (Liberté, egalité, fraternité). No Brasil não foi diferente, e, por essa razão, comemora-se o dia do maçom em uma data de imensa relevância histórica tanto para o nosso país quanto para a história maçônica.
“E assim nos tornamos brasileiros”, disse Cazuza em uma de suas músicas. À despeito do fundo irônico em que ele utiliza esta frase, a ressignificarei para compreendermos o momento em que de fato foi possível que existamos como brasileiros: a nossa independência. 
Todos sabem que os grandes maçons eram homens à frente de seus tempos. Se colocavam como progressistas e liberais em uma sociedade cada vez mais conservadora e inerte. Gonçalves Ledo foi um desses maçons. No dia 20 de agosto de 1822 ele discursara em uma sessão entre as Lojas “Comércio e Artes” e “União e Tranquilidade”, na cidade do Rio de Janeiro, sobre a importância de lutar pela independência do Brasil. Ele enxergara aqui em nossas terras um futuro promissor, longe das amarras europeias e da tradição colonialista, pois embora o Brasil nessa época já não fosse mais uma colônia, havia ainda fortes resquícios desse passado colonial.
Quando se pensa na maçonaria, muitas vezes primeiro imagina-se os mistérios dela. Fantasiam-se sobre as práticas e os rituais supostamente ocultos que ocorreriam entre colunas, e tentam-se preencher essas lacunas de conhecimento com teorias, suposições, ou até mesmo mentiras. A verdade é que aquilo que é a essência da maçonaria não é o que está oculto, mas o que está visível: seus efeitos. Poucas semanas após o discurso de Gonçalves Ledo, o imperador D. Pedro I tomou a iniciativa de proclamar a independência do Brasil às margens do Ipiranga. 
Claro que não podemos reduzir toda a tomada de decisão para a proclamação da independência de um país em um simples discurso. Sim, é verdade que era uma ideia que já estava presente na consciência coletiva, mas a maçonaria tomou para si um papel nessa discussão, e produziu em cima desses discursos. Ela colaborou sim para que hoje possamos nos chamar de brasileiros, filhos de um país soberano de dimensões continentais, e laços culturais tão plurais que certamente seriam necessários anos de estudos sociológicos para mapea-los.
A história de nosso país é repleta de eventos onde a maçonaria se fez presente de maneira direta ou indireta. A inconfidência mineira, o grito de independência e a abolição da escravidão são alguns exemplos. O futuro de todos é incerto, mas sabemos que no nosso país dificilmente ocorrem revoluções sociais sem o dedo de um maçom livre e de bons costumes, sempre à caminho da perfeição.


Texto: Irmão João Pedro Bretas – estudante no curso de Psicologia na Universidade Federal Fluminense (UFF).



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